Antevisão — Ronde Van Brugge - Tour of Bruges ME
De Flandres nem bom vento nem bom casamento.
Introdução
A Brugge-De Panne teve uma crise de meia idade e decidiu mandar a De Panne à fava no seu 50.º aniversário. Agora é a Ronde Van Brugge: uma designação bem mais apelativa, diga-se.
Durante décadas foi uma corrida por etapas, a Driedaagse De Panne (Três Dias de De Panne), mas em 2018 transformou-se numa corrida de um dia. Nesse ano, Viviani batia Ackermann e Philipsen num sprint de luxo, com João Almeida (ainda na Hagens Berman Axeon) a terminar num honroso 119.º lugar. A coisa corria dentro do esperado, com vitórias de sprinters ou classicómanos de topo, até que na última edição aconteceu o impensável: um ciclista colombiano conquistava uma Clássica de Primavera na Bélgica. Os deuses do ciclismo não perdoaram tal heresia e baniram a maldita De Panne do circuito de clássicas flandrianas.
Na verdade muda o nome, mas não muda a essência. Agora termina onde começa, em Bruges, em vez de finalizar em De Panne, na costa. Mas o percurso, desta vez com três secções de pavé, continua muito exposto ao vento e convidativo aos nossos muy estimados abanicos. É uma das chamadas sprint classics mas, tendo em consideração as condições atmosféricas esperadas, a coisa pode tornar-se caótica.

O percurso
O pelotão sai de Brugge, bai dar uma ganda bolta, e regressa à cidade para dar três voltas a um circuito plano que conta com uma secção de empedrado. No total terão de pedalar cerca de 203 quilómetros. Os 422 metros de acumulado deverão ser suficientes para deixar o Jakobsen apeado.

O que esperar
Frio, chuva e vento. O mau tempo vai ser o maior inimigo do pelotão. O cenário mais provável continua a ser um sprint mas dificilmente teremos um sprint massivo como nas edições anteriores. Além da capacidade física e da resistência ao frio, a colocação ao longo da corrida vai ser fundamental para evitar um mau resultado.
Favoritos
Jasper Philipsen — É o mais rápido, está em boa forma e conta com uma equipa especializada nestes terrenos, que raramente se deixa papar nos echelons. Venceu em 2023 e 2024 e é o favorito a vencer em 2026.
Dylan Groenewegen — Contra os pinos já provou que mete uma acima e dá duas bicicletas de avanço. Agora tem de provar que consegue bater os melhores. Se seguirem à risca os planos do Marcel Kittel, festejam aqui o primeiro triunfo no World Tour.
Søren Wærenskjold — O hipopótamo de Mandal gosta deste clima.
A não perder de vista
Juan Molano — É o campeão em título e conta com uma equipa fortíssima. Foi ao pódio em Nokere mas não conseguiu disputar a vitória em Denain e em Koksijde.
Pavel Bittner — É muito rápido e é muito regular. Mas é da Picnic e estamos na Bélgica.
Milan Fretin — Estas corridas são a sua praia. Amanhã está bandeira amarela mas ele sabe nadar na piscina dos adultos.
Hugo Hofstetter — É check em tudo o que esta corrida pede.
Edward Theuns — Ele adora o mau tempo e a forma está boa: foi 12.º em Koksijde. Eu acredito que vai ser ele a aposta da Lidl-Trek.
Laurenz Rex — Parecia mal não meter alguém da Quick-Step. Bela oportunidade para limpar uma no World Tour.
Apostas falso plano
André Dias — Espera lá que ele já te Welsford.
Henrique Augusto — Milan não dá hipóteses.
O Primož do Roglič — Late attack de Stian Fredheim.
Miguel Branco — (desculpa, Max, continuas a ser o meu grande amor) Laurenz Rex.
Miguel Pratas — Vão apanhar muito vento de Fretin.
Nuno Gomes — Florian, em mais um ensaio para Roubaix.
Nuno Silva — Grunho para Philipsen.
Rogério Almeida — Esta vai ser de lado, Crabbe.
Vítor Ferreira — Fabio Jakobsen: No Panne, No Gain.