Antevisão — Omloop Nieuwsblad

Pavé, um lobby, um hobby, um love com você, iê.

Antevisão — Omloop Nieuwsblad
Omloop Nieuwsblad

Introdução

É agora. A terra começa a tremer. É essa a sensação, é isso que a imagem sugere a cada vez que os corredores abordam um sector de empedrado, sobretudo dos empinados. O pavé chegou, gente boa. E quando o pavé chega, o mundo fica um tudo nada menos cinzento — apesar do cinza que costuma habitar os céus e a estrada. O espectáculo flandriano arranca então com este fim-de-semana de abertura e nomeadamente com a Omloop Nieuwsblad. E embora ainda exista sobre esta corrida o fantasma de um final pouco partido, é preciso relembrar que assim não acontece desde 2021, onde venceu Davide Ballerini. Portanto, se faz favor, vamos manter a ordem. É para partir isto tudo desde o quilómetro zero.

Molhada, na Flandres é sempre tudo à molhada. (© X da Omloop Nieuwsblad)

O percurso

Ora então vamos lá ver. 197 quilómetros entre Gent e Ninove, percurso com menos cerca de 5 quilómetros do que a edição anterior, mas sem alterações relevantes. A partida é uma das mais emblemáticas do ciclismo internacional. Em Gent, no velódromo t' Kuikpe, no Citadelpark, meca do ciclismo de pista que em Novembro recebe anualmente os Seis Dias de Gent e que nos dá sempre um espectáculo de luzes muito curioso na cerimónia de pódio que antecede a partida.

Por aqui, a história é a mesma: Kapelmuur e Bosberg como últimas dificuldades, esse antigo final da Ronde van Vlaanderen quando esta terminava em Meerbeke. Desde 2012 que a Omloop se corre nestas estradas e que o percurso está praticamente inalterado.

No total: oito sectores de empedrado, sendo que Haaghoek merece três passagens, e 11 subidas, sendo que algumas delas são também em paralelo — e em que o Leberg é passado por três ocasiões. Duro, duro, duro e duro. Não há segredos, não há refúgios, não há passagens secretas.

O que esperar?

Molho. É fácil, mas é verdade, sempre que há empedrado, há molho, caros amigos. E a gente gosta é de molho. Não no sentido literal, não queremos ketchup, não queremos lesões, queremos festa. E essa, parece-me, está garantida. A Visma | Lease a Bike venceu as três últimas edições (Wout van Aert, Dylan van Baarle e Jan Tratnik) e mais ainda: dominou por completo o fim-de-semana de abertura em 2023 e 2024, onde também amealhou a Kuurne-Bruxelas-Kuurne.

Nesse sentido, é de esperar que a Visma, que agora entra num dos seus territórios predilectos, e que sem a presença de Van der Poel e Pogačar — o primeiro embate dos três vai decorrer na E3 Saxo Classic, uma semana antes da Volta a Flandres — vai querer dominar. Conta com Wout van Aert, Tiesj Benoot, Matteo Jorgenson, Per Strand Hagenes, Victor Campenaerts e Edoardo Affini. Mas este ano, a UAE apresenta uma equipa bastante mais competitiva: Morgado, Narváez, Politt, Florian Vermeersch, Wellens, Herregodts e Bjerg. Estes são os dois blocos mais fortes em prova e aqueles que assumirão as maiores despesas da corrida, julgo. Se não for antes, na primeira passagem pelo Leberg uma fuga vai-se criar e a maioria das equipas vai querer colocar pelo menos um corredor na frente, para evitar grandes desgastes cá atrás.

Depois disso, a corrida vai começar a mexer a sério a coisa de 60 quilómetros da meta, nas passagens pelo Eikenberg ou pelo Wolvenberg. A partir daí, julgo que um grupo mais restrito que pode discutir a vitória se vai destacar. Podem fazer-se diferenças no Berendries, mas eu diria que será no Kapelmuur (e se for preciso no Bosberg) que todas as decisões vão ser feitas.

Conto com uma chegada a solo ou um grupo muito curto, seguido de um outro maior — onde pode existir um sprint largo para os restantes lugares do top-10. Nem Visma, nem UAE querem uma corrida tranquila, há sprinters perigosos — Philipsen, Magnier, Girmay, Meeus — que podem colocar em causa as suas ambições. No grupo que a coisa de 60 quilómetros espero ver destacar-se conto com vários elementos destes dois blocos e aí a UAE vai ter de arriscar mais, ir com Wout van Aert para a meta não é grande ideia.

Favoritos

Wout van Aert — Faltaram-lhe pernas na Clásica Jaén e no Algarve — nomeadamente no que aos sprints diz respeito. O que não é um grande indicador. Mas vá lá, é Wout, não há como ignorar que é o corredor mais forte desta startlist e que a forma tem de estar em ascensão.

Jhonatan Narváez — Tem-lhe faltado sorte (e já agora equipa) nas clássicas do pavé. Agora, com equipa, pode ser que já não precise muito da sorte. Tem um motor incrível e bastante ponta final. Será, provavelmente, a carta protegida da UAE.

Thomas Pidcock — O início de temporada neste seu novo início está a ser brilhante. Conhece bem estas estradas, gosta delas e a forma em que já se apresenta obriga-me a colocá-lo nos favoritos.

A não perder de vista

António Morgado — Como não? O miúdo está a voar em tudo o que é prova. Pode não ser a aposta lógica da equipa, mas se o deixam sonhar…

Matteo Jorgenson — O ano passado fartou-se de andar nestes terrenos. É já uma peça-chave na equipa e, à imagem de Morgado, pode acabar a vencer numa movimentação táctica da equipa.

Arnaud De Lie — É no empedrado que o Touro mais se parece com o animal que lhe dá alcunha. É no empedrado que De Lie parece ser tudo aquilo que nos venderam. Não é um sprinter. É um classicómano.

Paul Magnier — Este miúdo é um caso sério. A experiência é curta, mas o talento é gigante.

Jasper Philipsen — O Jasper diz que até Maio é um corredor de clássicas e que depois é que é sprinter. Tem contra si o facto de toda a gente o querer ver longe da frente. Mas que é um perigo, lá isso é.

Apostas falso plano

André Dias — Olhei para eles e disse: Wout comer. E comi.

Fábio Babau — Morgado on loop.

Henrique Augusto — Vai dar bigode. Ai vai, vai.

O Primož do Roglič — Morgado, mascara-te de pavão e voa que nem um campeão.

Miguel Branco — Narváez. O Equador é um paralelo de zero graus de latitude.

Miguel Pratas — Le Taureau de Lescheret.

Nuno Gomes — Big Ben. Certinho como um relógio.

Rogério Almeida — Segunda para Wout ou o Wout faz segundo.